sexta-feira, 22 de maio de 2009

The Masterplan


Havia decidido, antes mesmo de parar um minuto para pensar, que não faria mais nada para apressar o meu dia ou fazer dele apenas mais um outro no meio dessa longínqua semana. Tentei ser sincero comigo mesmo e percebi que nem com a minha própria pessoa tenho facilidade em mostrar o que realmente sou. O telefone tocou e decidi voltar ao mundo real. Troquei emails durante algum tempo, conheci novas pessoas e reparei que o sol tem um brilho diferente a cada novo dia. Quando me dei conta, já me encontrava em uma situação que não acontecia há um bom tempo.

O carro parado em frente ao seu prédio e um último suspiro de coragem para que a noite pudesse correr sem nenhum problema. Desci do automóvel e a vi saindo pela porta da frente. Ela estava linda e se vestia muito bem. Mulheres bem vestidas ganham muitos pontos ao olhar de um homem maduro, principalmente em um mundo onde, hoje em dia, a vulgaridade se tornou algo comum.  Com um leve cumprimento a elogiei pela sua grande beleza e a acompanhei até a porta do passageiro. Abri e a convidei a entrar.

A noite parecia perfeita e a conversa fluía melhor e mais agradável do que eu poderia imaginar. Fomos a um PUB esperar um pouco antes que o evento começasse. Os irmãos Gallaghers estavam na cidade e isso significava egocentrismo, baladas e rock and roll. Oasis é uma de minhas bandas favoritas e independentemente do que fosse acontecer durante aquela noite, algo de muito bom ainda teria de ser aproveitado.

Descobrindo um pouco mais sobre cada um de nós, não vimos o tempo passar e quando nos demos conta já estávamos atrasados para o show. Apressamos-nos e saímos pela porta do bar. Um grande temporal tomava conta da cidade. Chuva é algo comum quando o Oasis está por aqui. Toda vez que os odiosos ingleses tocam, o céu resolve desabar e espalhar suas mágoas por toda a metrópole.

Preparei-me para correr e ela, em um gesto singelo, não me deixou que buscasse o carro e a encontrasse na entrada do local para que não se molhasse. Abraçamos-nos, os e fomos passo a passo andando em direção ao estacionamento com o seu casaco perfumado estendido sobre nossas cabeças. É engraçado como podemos nos lembrar de algumas sensações sem que nos esforcemos para isso.

No caminho até o show, nos encontrávamos lado a lado e me impressionava muito o modo sincero e carinhoso como ela sorria. Quando percebi que a aglomeração de pessoas passava a ser cada vez maior, aproximei minhas mãos das dela e um as segurei com muito cuidado. Um gesto recíproco vindo de sua parte, deu-me coragem para prosseguir. Pouco a pouco fomos nos aproximando. Podia sentir a harmonia que se espalhava pelo local e a música já se infiltrava com todo o poder e exaltação em meu coração. Quando chegamos a pista, o show de luzes nos abraçava e nos convidava e ficar cada vez mais próximos. Os primeiros acordes de ‘The Masterplan’ começaram a soar. Virei-me em sua direção e a puxei delicadamente pelas mãos. Vagarosamente me aproximei de seu rosto. Podia sentir o calor de seu corpo e quando menos percebi, um caloroso beijo nos foi agraciado. Um momento simples e, ao mesmo tempo, mágico. A partir dali, não precisaríamos de mais nada para que tudo continuasse bem.

3 comentários:

Carlos Gouveia disse...

velho, escreva sempre assim!
ótimo!

Gui Maldotti disse...

Fico pasmo com a capacidade de sus mergulhos ornamentais em suas paixões... hahahha!

Anna disse...

A combinação do texto (e a inspiração!) com o show e o across the universe ficou incrível!