segunda-feira, 25 de maio de 2009

Virtude de um cão

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Acordar em uma manhã completamente tomada pelo sol, vindo de uma noite mal dormida e ainda por cima com tal ressaca, somente para levar meu cachorro para passear não estava sendo um jeito agradável de começar meu domingo. Depois de lutar incansavelmente contra todas minhas vontades tive que levar meu cão para seu passeio, contrariado. Olhei para cara do meu cachorro e senti certo arrependimento de minha decisão há alguns minutos atrás. Ele, posso até dizer com certa afirmação, sabia que dependia da vontade de alguém em casa para ele ter seus 60 minutos de caminhada prazerosa no fim de semana. Não podia culpá-lo por nada, errado estava minha pessoa de confrontar sua pequena vontade.

Mukeka! Assim o chamo e por um instante ri de seu nome. Acho que ele não liga para esse nome. Cachorros em geral não devem ligar para seus respectivos nomes. Nenhuma nuvem no céu chamou minha atenção, o dia estava limpo, não estava propício para escrever uma critica sequer. Resolvi então deixar as mágoas um pouco de lado, havia sempre muitas a serem discutidas, mas as respostas de todas elas quando o culpado parece não ser você ainda se encontravam longe demais para serem esclarecidas. Ao longo de minha caminhada sentia-me bem, e meu cão entrou em uma certa sintonia com o meu bem-estar, estava feliz também. A nova fase onde tudo é viável só que a renda não corresponde às minhas vontades era outro fator que devia ser um pouco esquecido naqueles 60 minutos.

Passei por um muro que tinha a seguinte frase – “O mundo precisa de amor. Porra!” – O quê passa na cabeça de um sujeito desse, pensei. Ele simplesmente escreve uma singela frase com uma mensagem que mereça uma atenção, talvez, e acaba por fazer ela se torna um tanto que ridícula no final. Tantas novas gerações aparecem todos os dias que me deixa confuso classificar quem é quem, hoje não tenho idéia de quem senta ao meu lado. Não julgo mais porque aprendi a ouvir, e todos merecem essa chance.

Na rua com meu cão existiam dois tipos de pessoas, as que evitavam contato direto com ele, por isso preferiam atravessar a rua, e as que sorriam para ele. Senti uma ponta de inveja, era temido ou amado sem ao menos se comunicar, sem qualquer espécie de diálogo. Dei-lhe uma leve tapa no seu traseiro e fiz um carinho na sua cabeça sorrindo. Não era o cão e seu dono, e sim o cão e seu amigo.

Um comentário:

vi_valderrama disse...

Você sempre me surpreende...adorei o texto! Parabéns!!!!!