terça-feira, 2 de junho de 2009

Confinamento 2º Parte

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Havia manchado toda minha mesa, já deve ser a segunda ou terceira vez que isso acontecia. Era um hábito escrever no papel e depois passar para o computador. Reuni tudo em volta e organizei, sabendo que minutos depois estaria em total bagunça novamente. Como todo bom mortal, em um momento de inspiração, resolvi por um minuto descer até a banca para comprar o jornal diário. Desta vez optei pelo de esportes, não estava com paz de espírito para ler sobre notícias ruins, eu já falava demais por elas. Cumprimentei o zelador, o porteiro, a síndica e a faxineira. Era outro hábito ser humilde também.

As pessoas de casa tornaram-se um pouco vazias para mim, mas nunca deixei de amá-los. Eu estava somente na minha fase onde você torna-se desconhecido de si próprio. Achava que certas crises, fases ou como qualquer definição desse tipo acontecia somente com os outros. Me enganei, e quando percebi já estava envolvido nela por inteiro.

Situações é que fortalecem os homens, sem crise, jamais seriamos quem somos hoje. Desempregado, roupas em total desgaste, bloqueio da conta no banco, refeições sem mistura, telefone somente recebendo ligações e morando de favor. Podia-se dizer de passagem que não era uma das melhores situações. Apesar de tudo isso talvez não houvesse motivo para se reclamar ainda. Esqueci tudo e voltei ao papel e caneta.

Descobri que costumo escrever como eu penso, sem colocar ou tirar nenhuma palavra. Interessante não?! - Poucas vezes tenho que reformular a frase que escrevo. Parece que sempre sai completa da maneira como eu gosto, mas não vêem ao caso agora não é mesmo?! – Mas voltando para nossas realidades, apenas queria te dizer algumas palavras só. Nunca escondi que de fato minha preferência foi sempre ser pessoalmente. Mas como não há outro jeito, tento dessa maneira.”

“Pior do que qualquer agressão física, a maior de todas as dores é a da vergonha. E de um amigo tão querido não só é uma surpresa como vira uma rachadura dentro da alma. Sempre achava que seus erros eram involuntários. Mas de repente andou se tornando freqüente demais, e por motivos menores ainda. Sabe amigo, a maioria das pessoas que a gente tem contato pelo menos uma vez falaram como agüento tal desaforo. Eu não agüento, eu simplesmente esqueço.”

Decidi então parar. Levantei-me e fui tomar um banho. Tem dias que nem tudo merece ser escrito como realmente é.

Um comentário:

Gui Maldotti disse...

Eu acredito que nada é escrito como realemnte é. A graça da escrita é tornar a vida fútil algo um pouco mais interessante, não?