quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Linhas Brancas Horizonte Cinza

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Após algumas horas de viagem o ônibus chegou ao destino como o planejado. Desta vez me perecia que não tinha deixado absolutamente nada para trás. Ainda mais quando o parecia que o momento havia feito um ensaio com a paisagem, pois estava tudo em seus lugares em uma sintonia perfeita. Alguns raios de sol davam sua graça em meio aquele imensidão de nuvens, que rapidamente sumiam pouco á pouco para o dia, enfim, ficar ensolarado. Choveu boa parte do caminho e o cheiro de terra já exalava forte.

Desci em uma pequena e velha rodoviária bem típica de interior. Com algumas partes rebocadas bem visíveis, uma linha de poeira sobras suas paredes e as ruas, onde trafegavam automotores e charretes, eram de paralelepípedo. Havia aos montes grupos de velhos espelhados pelo local inteiro. Talvez sejam os maiores frequentadores de rodoviárias interioranas.

Minha primeira vontade era de tirar o tênis e andar descalço. Fui covarde, não fiz. Então tratei de comer algo rápido, como coxinha, quibe ou algo parecido. Mas tudo sem pressa nenhuma, faltava apenas quinze para meio-dia. Sentei no balcão e tirei da minha mochila meu caderno (com aspiral de barbante, pois o original tinha quebrado inteiro) e comecei a escrever algumas idéias.

Fui interrompido por um senhor que disse algo muito rápido e começou a rir logo em seguida. Olhei para sua cara e percebi nitidamente que não havia maldade no que tinha me dito, tinha cara de ser boa gente. Ri junto, sem motivo, fui simpático. Ofereci-lhe um café e se recusou, mas me pediu um cigarro. Pegou, agradeceu e foi embora. A essa altura achava isso tão normal.

Fiz meu pedido e passei a olhar em volta. Tinha lá sua loja de doces e salgados que não havia nem espaço para andar. A loja de tranqueiras de diversos tipos de coisas que você pode imaginar, úteis e inúteis. Uma loja de roupas e as cabines de compra das passagens. Algumas pessoas e cachorros circulavam por lá e um velho relógio de corda anunciava meio-dia.

Meu tempo parou por uns instantes e meu pedido tinha chego. Senti falta da minha garrafa de cerveja, então acenei com a mão para alguém. Estava pegando a moeda no chão e assim que levantei a cabeça deparei com dois olhos grandes e esverdeados, no entanto o que mais tinha chamado minha atenção foi seu sorriso. Ouviu meu pedido sorrindo e assim trouxe do mesmo jeito. Invejável. Ela tão cheia de vida e eu lá, pobre de espírito. Simplesmente não fico sem São Paulo, mas começou a me fazer bem uma fuga.

Terminei minha refeição sem pressa alguma, e ela disparando sorrisos para todo lado. Fechei a conta e deixei uma gorjeta gorda para a atendente sorridente. Tinha achado alguém feliz com a vida. Arrependi-me da gorjeta. Ao invés de elogia-la pelo seu sorriso contagiante preferi pagar por ele com uma gorjeta. Ridículo. Pois é, vivendo e aprendendo.

Um comentário:

Gui Maldotti disse...

não se preocupe em pagr o sorriso dela, geralmente qunado os vendedores sorriem é por mediação das atitudes gerada pela compra. será q se você fosse um bebado a infernizando sem dinheiro para pagar a conta ela daria o memso sorriso?!